A lua cheia se insinuava entre ralas nuvens! O céu cinzento permitia, apesar de noite alta, a visão da floresta. Um uivo arrepiante denunciava a aproximação daquele ser medonho a espreita da próxima vítima.
O rosnar daquela fera apavorara aquele Vilarejo do Morro Torto até que um pistoleiro com uma bala de prata em seu revólver acabou com aquela vida amaldiçoada, metade lobo, metade homem. Ferido de morte, aquele monstro foi voltando à forma humana gradativamente, apresentando ao povo, que já se juntava para ver o bicho, a identidade do filho do maquinista, que de tanta tristeza, carregou os seus seis filhos homens e mais aquele corpo para longe dali e nunca mais foi visto.
Os olhos do casal de portugueses estavam arregalados. Estavam impressionados com aquela história. Entreolharam-se:
-Jamaissh pritendo cruzare com uma fera dessassh. Cá eu não tiria a menori chanci dianti dessi cão dus infernus!
-Óh, homennn di Deussh! Estaissh a dizer blasshhfêmiasssh!
-Óh, mulhere di Jesuisi, poissh não ouvisshtissh u homenn. Um monssshtrengo dessessh pode vire a sere um pirigu!
O casal despediu-se do preto velho que havia sido recomendado como o maior conhecedor das histórias daquele lugar esquecido, perdido dos mapas. Após as despedidas a portuguesa perguntou ao marido:
-Como pode um homen di maneira tao simplesssh obter um linguajar tao disshtintu?
-Óh mulhere, poissh não lhi cuntaram por essassh esshquinasssh que ele é um intelectual desisshtente da vida social? Que se disincantou da sociedade e da fãmília que o preteriu e resolveu dar o qui tinha e viver com simplicidade?
-E pur acasu eu vivo a confabular pelassh isshquinassh homen? Tenho muitu u qui fazere óra poissh!
-Como pode um homen di maneira tao simplesssh obter um linguajar tao disshtintu?
-Óh mulhere, poissh não lhi cuntaram por essassh esshquinasssh que ele é um intelectual desisshtente da vida social? Que se disincantou da sociedade e da fãmília que o preteriu e resolveu dar o qui tinha e viver com simplicidade?
-E pur acasu eu vivo a confabular pelassh isshquinassh homen? Tenho muitu u qui fazere óra poissh!
O português estava aposentado havia três anos e como alto funcionário do governo português e dispondo de um provento considerável, escolhera o lugar mais pacato do mundo para viver em paz com sua família. Mas essa paz virou angústia quando ele descobrira histórias sobre lobisomens que aconteceram naquele lugar. Também havia a decepção de ter vivenciado o abandono de sua querida filha Josefa, que vivia com eles, pois o genro irresponsável se ausentara, alegando viagem para ver a família, e nunca mais dera notícias. Distanciando-se da cabana do contador de causos, seguiram na direção da casa da benzedeira Arminda, mais conhecida como Minda, porque por rasões que ela mesma já havia esquecido, não queria ser chamada de senhora Minda, dona Minda ou coisa parecida. Eles a procuravam, porque ela era a rezadeira mais respeitada dali. As orações de qualquer um dos aldeões daquele lugar distante de tudo, não alcançavam nunca a eficácia das de Minda.
Chegando ao portão de madeira com tramela, da frente da casa de Minda, o casal bateu palmas:
-Esshta lá?
-Em que posso ajudar? Disse Minda saindo ao quintal e se aproximando do portão.
-Precisamossh disisshhperadamente de suassh oraçõesssh!
-Vamos entrando por obséquio, disse Minda abrindo o portão.
Ela pediu que os dois sentassem em bancos que ela mantinha na varanda e já fossem desabafando sua
preocupação.
-Minda, nossa pobre filha Josefa foi abandunada pelu maridu, disse o portugues, contudu, aquele doidivanasshh já foi tarde. Porém u patifi daixou minha Josefa a esshperar um miúdu, além dos seissshh filhosshh qui tevi com ela. A bãrriga dela cumeça a aparecere e ela já tem seisshh rebentus, oh meu Deussh!
-Minda, disse a portuguesa, precisamossshh de suassh oraçõesshh para que seja uma minina o filho de Josefa ,porque si fore um minino, ele pode se turnare um lobisomen na lua cheia. Veja tú qui nossa filha já
tem seisshh filhos e são seisshh machosshh, seisshh homens e esse que ela esshpera será o sétimo e o sétimo filho homem, e o sétimo filho cun certeza, virará lobisomem!
E o português acrescentou:
-Eu pago oque pediressshh!
-Não, dinheiro eu não aceito, disse Minda, "dai de graça o que de graça recebei", disse o Nazareno e eu procuro imitá-lo, se quiserem me dar algum dinheiro, ajudem aos pobres desse lugar. É como se ajudassem a mim.
-Ajudaremossshh os pobresshh, mar por favor, ores Minda, ores Minda, para que tenhamosshh uma neta e não um neto!
E Minda orou, orou e orou. E não nasceu um menino, mas uma linda menina. Os avós, ao virem aquela menininha maravilhosa se emocionaram e choraram de alegria. Cumpriram o combinado, começaram a fazer muita caridade naquele lugar. Mas, antes disso, a mãe e os irmãos felizes queriam escolher o nome da pequena, que era muito linda. Muitos nomes foram sugeridos e a casa ficou cheia de alegria. Porém o português quis opinar com mais rasão:
-Si a miuda é frutu de oraçõesssshh, purque não colocar u nome ligado a oração. Mulhere, como foi que pedimossh para Minda resare por nossa neta?
-Nóssh diziamossh ores minda ores minda para qui nosso neto seja um minina e não um minino. A frase era ores Minda, ores Minda, ores Minda, por nosso neto para que seja uma neta.
-Está resovido, ela se chamará Oresminda que será a oração de Minda maisshh aprópriadu ao nome dela.
Josefa gostou, e toda a família começou a fazer caridade para os carentes do lugar, levando junto o pequeno tesouro: Oresminda.
ores
ResponderExcluirOresminda ficou ESPETACULAR!!!!
ResponderExcluirAmei...beijosssshhhhhh